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Meio na contra mão, mas sempre no bom caminho

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Fotos da série “Iréel”, por Flora Borsi. Para ver as outras só clicar aqui.

Todo nove de agosto sinto pesar a sensação de ter que dar um veredicto final sobre mim mesma, afinal, mais um ano correu comigo tentando conhecer e entender melhor o que se passa além das minhas entranhas. O que meu âmago grita? Sempre acho que cheguei a minha definição final, e sempre mudo de ideia no dia dez. Aos 21 anos percebi que a única coisa definitiva em mim (por enquanto, quem sabe) é a mudança, o deslocamento, a quebra. É estranho, ser nômade dentro de si mesma.

Na minha calma opressiva minha alma se atrita com o que não cabe na moldura, mas suporta. Fazer o quê, gosto do novo, do escambo, do possível. Quero o que está diante dos meus olhos, e o que se mantém além deles. Arrisco, petisco e desgosto, às vezes logo, às vezes não. Vontades tão repentinas quanto vitais, que acabam me levando sempre a mais uma surpresa – dentro de mim. E até que alguma certeza me atropele ou floresça por aqui, continuo fiel aos meus instintos. À minha maneira de ser alguém real.

Andando em curvas, meio na contramão, mas sempre no bom caminho.

M

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